31 de dez. de 2025

O mundo mudou —
e eu mudei com ele.
Somos feitos de versos que o tempo reescreve,
estrofes que a vida corrige sem pedir licença.

Dentro de nós morava o mesmo sentimento,
silencioso, inteiro.
Por um instante toquei o amor
e minhas próprias palavras me pareceram distantes,
como se não fossem mais minhas.
Foi ali que compreendi o valor.

Quis voltar.
Quis refazer caminhos,
apagar erros com a delicadeza do arrependimento.
Mas o tempo não retorna —
ele apenas ensina.

Vivemos o mesmo instante,
mas só depois aprendemos
o peso real das escolhas.
Portas se fecham,
luzes se apagam,
e tudo ao redor poderia ter sido melhor
se soubéssemos antes o que só entendemos depois.

Tenho a sorte de seguir vivo,
de ainda poder mudar,
mesmo carregando erros que não se consertam.
O passado silencia,
mas suas marcas continuam falando.

Deixei para trás quem me feriu,
quem não soube me ver,
quem confundiu liberdade com ausência.
Nunca quis impedir ninguém de viver —
escolher também é amar.

Hoje entendo:
o amor é essencial.
Guardo lembranças frágeis
como soldadinhos de papel nas estantes da memória.
Giramos num carrossel de emoções,
caímos, levantamos,
e seguimos buscando um mundo melhor.

Dar valor é um aprendizado lento.
É esquecer feridas
sem esquecer o que elas ensinaram.
Cresci para habitar um mundo quase mágico,
onde o amor não pesa,
mas sustenta.

O mundo gira,
leva pessoas,
traz ausências,
e às vezes chora através de nós.
Dentro de mim vive a certeza
de que um dia olharei para trás
e verei:
era só uma fase —
necessária.

Muitos não entenderam.
Outros vão querer voltar.
Mas a vida corre rápido demais
para quem hesita em sentir.

Deixe-me viver este amor.
Deixe-me dar valor ao que importa.

O mundo fere.
O mundo desperta.
E mesmo sem saber de que lado você estava,
eu permaneci.
Talvez porque quem nunca conheceu
um amor verdadeiro
demora a reconhecer
quando ele chega.

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