O mundo premia quem se chama de bom,
mas esconde a lâmina atrás do sorriso.
Tentam entrar na minha mente,
moldar meu destino com mãos sujas.
Prefiro a solidão
a herdar uma consciência podre.
Quem se diz justo beneficia a si,
e fere até o próprio sangue.
Por isso não caminhamos juntos.
Você erra, tropeça, destrói,
e ainda aponta o dedo
para quem ficou ao seu lado.
Escolhi o silêncio.
Minhas palavras envelheceram de cansaço.
Dói ver gente injusta agradando plateias,
enquanto exige que eu me curve.
O egoísta não ama,
ele consome.
Ataca, ofende,
vive só para si
e chama isso de coragem.
Há quem se sinta feliz
por se achar melhor.
Bastava respeito,
bastava princípio.
Mas o egoísmo nos agride
e a falta de caráter
veste fantasia de virtude.
Vejo pessoas falsas,
bondade ensaiada,
imagem limpa, alma suja.
Falam de escolhas,
mas nunca escolhem o bem
quando ninguém está olhando.
Somos promessas quebradas
de um amor que não veio.
O futuro assusta
quando depende de covardes
que nunca souberam amar.
Mandam abraçar o mundo
enquanto enterram os justos.
A esperança apodrece
quando o amor falta.
E com ele morre algo raro:
o amor verdadeiro.
Caminho com os pés fora do chão,
enquanto aplaudem seus erros.
“Parabéns”, dizem,
olhe seu sucesso.
Mas esse sucesso tem nome:
as perdas que eu vivi.
Desisti de sonhos,
perdi partes de mim.
Você sorriu.
Eu me parti.
As palavras humanas são frágeis
quando alguém desiste,
quando a dor aperta como corda invisível.
Uma vida de brigas e culpas
ensina algo cruel:
há dias em que continuar
parece mais difícil
do que existir.
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