10 de jan. de 2026

Entre o silêncio e a dor

 O mundo premia quem se chama de bom,

mas esconde a lâmina atrás do sorriso.

Tentam entrar na minha mente,

moldar meu destino com mãos sujas.

Prefiro a solidão

a herdar uma consciência podre.

Quem se diz justo beneficia a si,

e fere até o próprio sangue.

Por isso não caminhamos juntos.

Você erra, tropeça, destrói,

e ainda aponta o dedo

para quem ficou ao seu lado.

Escolhi o silêncio.

Minhas palavras envelheceram de cansaço.

Dói ver gente injusta agradando plateias,

enquanto exige que eu me curve.

O egoísta não ama,

ele consome.

Ataca, ofende,

vive só para si

e chama isso de coragem.

Há quem se sinta feliz

por se achar melhor.

Bastava respeito,

bastava princípio.

Mas o egoísmo nos agride

e a falta de caráter

veste fantasia de virtude.

Vejo pessoas falsas,

bondade ensaiada,

imagem limpa, alma suja.

Falam de escolhas,

mas nunca escolhem o bem

quando ninguém está olhando.

Somos promessas quebradas

de um amor que não veio.

O futuro assusta

quando depende de covardes

que nunca souberam amar.

Mandam abraçar o mundo

enquanto enterram os justos.

A esperança apodrece

quando o amor falta.

E com ele morre algo raro:

o amor verdadeiro.

Caminho com os pés fora do chão,

enquanto aplaudem seus erros.

“Parabéns”, dizem,

olhe seu sucesso.

Mas esse sucesso tem nome:

as perdas que eu vivi.

Desisti de sonhos,

perdi partes de mim.

Você sorriu.

Eu me parti.

As palavras humanas são frágeis

quando alguém desiste,

quando a dor aperta como corda invisível.

Uma vida de brigas e culpas

ensina algo cruel:

há dias em que continuar

parece mais difícil

do que existir.

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