Quando olho minhas cinzas, vejo o que fui
e o que ainda posso ser.
Penso no futuro com as mãos queimadas pelo passado.
Estar ao seu lado foi atravessar dores
que me ensinaram a ficar de pé.
Reviso meus passos e me pergunto
em que instante mereci permanecer,
em que silêncio me perdi,
em que amor me feri.
Chama-me.
Queima-me.
Que eu veja o início e o fim no mesmo clarão.
Minha realidade nunca foi a sua,
mas dentro de mim há um fogo vivo.
Ele arde quando penso nos meus filhos,
na parte boa que quero deixar,
no mundo que minhas palavras ainda podem construir.
Há uma chama que me sustenta os pés,
que me impede de cair.
Cada passo é uma trilha de ausência,
porque você já não caminha aqui.
Ainda assim, sigo.
Meu instinto não pede vingança,
pede crescimento.
Meu amor não grita,
ele permanece.
Serei meio e fim,
mas deixarei a chama acesa.
O tempo passa
e tudo que se ergue sobre mentiras cai.
A verdade nunca me abandonou.
Não brigarei com o fogo.
Deixo que ele me consuma
enquanto busco um novo paraíso,
um lugar onde o amor não precise se esconder.
Meus caminhos refletem aquilo que sempre fui:
começo, fim
e a arte de amar.
Suas verdades são extremas,
mas vazias.
Passam longe da luz
e, quando chegam, trazem máscaras.
Você vive negando erros
e chamando isso de razão.
Eu respeito a dor,
mas não me entrego ao ódio.
Se meu corpo virar cinza,
que seja por amor.
Há uma página escrita no fogo
e nela não está o meu fim.
Você está distante,
e eu escolho não viver de sentimentos mortos.
Sou diferente.
Carrego carinho.
Carrego amor.
Queime tudo.
Mostre-me, se puder, que estive errado.
Mas o que vejo é um coração doente
pela ausência do amor verdadeiro.
E se o fogo dentro de mim tocar suas verdades,
que seja como centelha:
iluminando,
e não mentindo.
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